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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

NORMAL

Um pouco tocado, nem bêbado nem sóbrio, olhava o copo cheio com olhos vazios, lamentando ter começado quando prometera a si próprio um só café.
O mesmo sentimento de culpa que o invadia todas as tardes, olhando o copo e as garrafas que se acumulavam na mesa enquanto desfiava “A Bola” de trás prá frente e da frente pra trás, deixava-o irritado, e era quase sempre com um grunhido surdo que respondia ao Zé, quando este lhe desejava “boa tarde Sr. Luís, e até amanhã”, que contrastava com a jovialidade que apresentava à chegada …
Desde que ficara desempregado, e tendo passado o inconformismo inicial, o seu dia-a-dia era feito da mesma igualdade…
Irritado, e distraído nos pensamentos, não ouviu o Padre Januário quando entrou acompanhado do Sacristão e desejou “uma boa tarde meus senhores…”
Só levantou os olhos quando o Zé perguntou a rir se os padres também podiam ir ao café.
- Claro que podemos. Fora da igreja eu sou uma pessoa normal, como qualquer outra – respondeu o Padre Januário.
Entre dentes o Luís retorquiu:
- Quer dizer que na igreja não é?...
Arrependeu-se mas era tarde.