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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

CAMINHO

 

 

 

 

Na mão levava uma cesta de vime, com um pano aos quadrados vermelhos por cima, a tapar uma panela de ferro. Tinha oito anos, e uma vez por semana percorria o caminho entre Prado e a cidade de Braga, para ir ao quartel, onde o irmão mais velho estava colocado, encher a panela com o “rancho”, que sobrava das mesas, e que alimentava a família a semana inteira.

Tinha, pela jovialidade da idade, arranjado confiança com as crianças que ía encontrando e parava a brincar com elas. De brincadeira em brincadeira percorria os sete quilómetros da estrada. Muitas já a esperavam, de semana a semana, como a amiga que passava…

O irmão estava à porta, e com um: “anda comigo”, levou-a para um canto da sala dos cornetins.

- Ficas aqui um bocadinho, que o comandante anda a fazer revista, e não te pode ver aqui. Eu já te venho buscar.

Rosa entrou na pequena arrecadação, que ficava por baixo de umas escadas. Poisou a cesta no meio das vassouras e sentou-se num balde.

Com medo, focou a sua atenção no pequeno raio de luz que entrava pela fechadura, e se focava na parede oposta, e que foi enfraquecendo, até á escuridão total. Tentava decifrar os barulhos que ouvia, permanecendo o mais imóvel possível.

Descortinou então a luz de uma vela que se aproximava, e encostou-se à parede. De repente a porta abriu-se...

- Rosa, eu esqueci-me de ti – O Irmão falava com sofreguidão, acompanhando o frenesim com as mãos. Desculpa-me, mas com isto do comandante eu nunca mais me lembrei. E agora já é noite e nem comida há. Pega nesta broa de pão, mete-o aí na panela. Anda que eu vou contigo até à Cónega…

Sem esperar resposta, pôs-lhe a mão nas costas empurrando-a para a saída.

- Pede desculpa à mãe, mas eu esqueci-me completamente. Levas o pão, que eu depois durante a semana vou ver se levo alguma coisa.

Caminhavam apressados, o irmão mais à frente com a cesta na mão e Rosa tentando acompanhar com pequenas corridas.

- Pronto não posso ir mais. Vais sempre e não tenhas medo. Eu depois passo lá.

- Eu não tenho medo. Já sou crescida…

Rosa começou a caminhar olhando as sombras, que as arvores faziam na estrada, iluminadas pelas fracas lâmpadas da rua. Apressava mais o passo quando passava, de longe a longe, um carro para permanecer na sua luz, e entre um poste de iluminação e outro.

Procurava convencer-se em pensamentos que não sentia medo, e tentava concentrar-se a tentar descobrir pontos do caminho, calculando quanto faltava.

Ao chegar à ponte viu um vulto no meio do nevoeiro do rio a caminhar na sua direção. Era a mãe que vinha à sua procura, estranhando o cair da noite sem qualquer sinal.

- Estardalho de rapariga. Onde te meteste até esta hora?

Rosa abraçou-se na mãe, e começou a chorar. Por entre soluços contou-lhe o que tinha acontecido…

A mãe pôs-lhe a mão na cabeça.

- Anda, vamos pra casa, comer o caldo e uma fatia do pão.