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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

RESPEITO

- Arranjaram-me estas sardinhas. Prepara-as para a janta, com cebolada, que o Manel e o Tone Gomes vêm cá comer.

Luísa Peixota passou a tarde a preparar e a amanhar o peixe, porque tinha fama de cozinheira e não queria as pessoas, que vinham a casa, tivessem algo para dizer.

À noite, a Rosa, o René e mais nova, a São estavam sentados num canto da mesa, cara lavada e cabelo penteado, esperando a chegada do pai com as visitas.

Estavam excitados; era uma festa surpresa, uma comemoração, um baile talvez…

O Pai chegou, disse à mãe que podia servir e os três sentaram-se. Luísa pegou na travessa das sardinhas e das batatas cozidas que tinha deixado em cima do fogão de ferro, para não arrefecer, e poisou-as em frente ao marido.

Zé Ribeiro levantou-se e pegou na travessa das sardinhas e começou a inclina-la em cima da mesa. Virou-se para a mulher, sobrancelhas carregadas…

- Mas onde raio está o molho da cebolada. As sardinhas estão secas…

- Mas Senhor meu marido, foi de estar à espera…

Zé enfureceu-se e pegou na travessa a atirou-a ao chão. A melhor que havia em casa partiu-se em mil bocados. Não satisfeito calcou com os pés as sardinhas em cebolada, esmigalhando tudo numa papa. Depois olhou para a mulher e levantou a mão… Manuel Gomes que estava ao lado agarrou-lhe o braço…

- Ó Ribeiro deixe lá isso… Não faça isso homem…

 Soltou-se, apertou o casaco…

- Vamos à caranga que lé come-se como deve ser. Logo conversámos – disse ameaçador olhando a esposa.

As crianças choravam encostadas a um canto. Tinham-se levantado da mesa de um salto e apertavam-se as três no canto da cozinha.

Luísa Ribeiro limpava as peças da loiça e a papa de sardinhas e cebola.

- Calai-vos que eu guardei umas sardinhas no forno. Comemos, bebemos e logo vemos…