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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

TRÊS SEMANAS

À noite olhava para o céu estrelado, da janela do sótão e tentava descortinar a direção por onde poderia correr para chegar a casa.

Depois deitava-se no colchão de palha estendido no chão, agarrada à boneca de trapos que tinha conseguido esconder na trocha da roupa, chorando com saudades e sonhando com o caminho por onde poderia correr para chegar a casa.

Aos sete anos, 40 km de distância são somas de passos imaginários e não de metros acumulados.

Uma prima tinha arranjado este emprego, na cidade do Porto, como criada dos meninos, numa casa boa e farta, austera mas honesta, como não se cansava de dizer.

Na terceira semana, teve a primeira folga. Escondeu a trouxa no rés-do-chão, por trás da porta de saída, enquanto os senhores almoçavam.

O relógio da sala tocou a Ave-maria e quando dava as três badaladas, saiu para a rua, olhou para trás, e começou a caminhar rua abaixo com a certeza que não voltaria mais.