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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

EPIFANIA

Naquele tempo, Jesus passeava com os seus discípulos pelo mercado na cidade de Jamirai, e em todos aqueles que a sua sombra tocava ficavam curados das suas doenças, chagas, deformações e pecados.

Josié sentiu um formigueiro nas pernas. Levantou-se de um salto, apalpou os membros, antes inúteis, e de imediato lançou um grito. Correu atrás de Jesus que era rodeado pelo povo…

- Mas quem pensas tu que és?... quem te deu o direito de vires para aqui curar-me – gritava – como é que eu vou ganhar a vida agora?...

Tentou furar pelo meio da multidão, mas não conseguia.

- Maldito sejas! Desgraças-me e vais-te embora. Como é que eu vou viver? Onde é que eu vou ganhar dinheiro agora, sem poder pedir?

De repente viu uma aberta por entre as pessoas, e numa corrida ficou frente a frente com Jesus…

- Quem te deu o direito de fazeres isto – apontando para as pernas – desgraças-me a vida assim sem mais nem menos? Como é que eu vou viver?

- Tenho a certeza que encontrarás o teu caminho, meu filho – disse-lhe Jesus.

- Filho? – gritou – mas quem pensas tu que és para me chamar filho? Eu conheci bem o meu pai, e a ti nunca te vi por aqui. Vai chamar filho a outro – ameaçou de mão no ar, enquanto era empurrado pela multidão, que se afastava.

 

Jamirai dormia á luz das fogueiras, ateadas pelas sentinelas romanas, da casa do governador. De repente gritos lancinantes encheram a escuridão. Josié gritava agarrado à perna, que tinha sido cortada, acima do joelho, a golpe de machado, pelo ferreiro da cidade a troco de duas moedas de ouro…