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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

PANIKE.

Talvez indistinta fosse a palavra que melhor a definia. Talvez 40 ou 45; cabelo curto, loiro não natural, vestia roupas elegantes mas com o objetivo de parecer mais nova.

O empregado aproximou-se com um sorriso, e perguntou o que desejava.

- Pois bem, esse é o problema. Não sei o que me apetece…

- A nossa especialidade são os croissants. Os simples são muito bons.

- Para quem viveu em França como eu, é difícil encontrar algo que me satisfaça. Mas seja vou acreditar. Espero gostar mais do bolo do que estou a gostar de si.

Manteve a compostura enquanto guardava o bloco de apontamentos no bolso, mas por dentro remoía as palavras, “raio de velha”, tentando identificar onde teria falhado no atendimento.

Outras conversas, pedidos e clientes afastaram-no da mesa do canto. Só quando se apercebeu que ela se levantava e se dirigiu ao balcão, é que a seguiu com o olhar. Viu-a a pedir dois croissants para levar. “Afinal a velhinha gostou” pensou com um sentido jocoso. Esperou junto à porta, e quando ela se preparava para sair, abriu-lha dizendo:

- Afinal sempre gostou dos croissants.

- Gostei. Mas só levo estes – disse aproximando-se e falando baixinho - porque a ti não posso mandar-te embrulhar para levar comigo.

A surpresa atingiu-o, corou e sorriu nervosamente:

- Mas eu não estou à venda…

- Não estava a pensar em vender – disse empiscando o olho, e saiu sem olhar para trás…

 

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