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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

FACEBUQUE

Era um daqueles dias em que as horas não passavam. Desde que a vizinha tinha ido de manhã à loja, tomar o pequeno-almoço e comprar a dúzia de pão habitual, do escurinho, nunca mais teve sossego. Respondeu com um “as crianças agora são muito espertas”, à conversa de”… a minha filha esteve ontem no facebook a falar com a sua netinha”.

Tentou distrair-se com o trabalho, o atendimento na padaria, mas as notícias de velhos que se faziam passar por novos, crianças raptadas, filhos que fugiam de casa, vírus, roubos,crimes, que via diariamente na televisão, por causa dessa porcaria da internet, não lhe saiam da cabeça.

Finalmente passaram, tentou jantar para fazer tempo, mas pouco comeu, e quando anoiteceu, em passo ligeiro, dirigiu-se à casa do filho…

Mal entrou na sala de visitas, ainda com a respiração ofegante, largou a bomba…

- Tu sabias que essa menina anda a falar com outros no faceboque, ou cuque ou lá o que é – dirigiu-se ao filho, apontando para a neta!

 - O quê? - repetiram em uníssono,
o pai no meio da sala com as mãos na cintura, e a mãe dando um salto no sofá, desviando os olhos d`a casa dos segredos.

- Vai buscar o computador – gritou o pai, apontando para a porta do corredor!

A Isabelinha, levantou-se, resmungando um “eu não fiz nada de mal” e foi buscar o portátil que estava em cima da mesa da cozinha.

- Quando me foste mostrar o computador, todo contente, eu fiquei logo preocupada – afirmou a avó - porque só se ouvem notícias más disso da internet. Eu nem sei para que isso serve… pra nada. Só para dar preocupações. Em vez de se agarrar aos livros, anda sempre com essa porra de um lado para o outro!

- Oh mãe, a rapariga prrecisa dele para a escola. A canalha de agora tem que saber trabalhar com um computador – replicou o pai da Isabelinha.

A menina já trazia lágrimas nos olhos quando apareceu com o portátil.

- Eu não tive culpa. Isto foi uma coisa da escola…

A mãe levantou-se exaltada com o dedo em riste, apontando para a filha.

- Tiveste culpa sim senhora, minha menina. Tinhas que nos avisar. Eu já te disse mil vezes que não quero que andes nessas coisas.

O pai ligou o computador...

- Mete aqui a tua password e mail, que eu quero ver por onde andaste.

Todos se debruçaram sobre o computador, esmiuçando caminhos, palavras, likes e conversas, enquanto a Isabelinha virava as costas a chorar…

- Pronto, não tem aqui nada de mal, nas conversas – sentenciou o pai – só falou com os amiguinhos e a filha da sua vizinha. Mas de castigo vou-te apagar isto tudo e aí de ti se voltas a fazer o mesmo.

- Eu não tive culpa, foi na escola…

- É isto, na escola agora em vez de aprenderem o que devem, andam todos tolos e só ensinam o que não é preciso – falou alterada a avó, levantando os braços ao céu.

- Podias ensinar-me a entrar aí no facebook, que assim eu podia vigiá-la melhor – pediu a mãe…

- Ensino nada. Depois andavas tu aqui a falar com outros… não tens nada que saber!