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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

UFA.

Hoje à saída da loja do cidadão, encontrei o Fernando. Já não o via há 5 anos, mais mês menos mês.
Estava igual, talvez um pouco mais magro.

Nos poucos minutos que conversámos fiquei a saber que os filhos saíram de casa, e vivem com os respectivos namorados; que o filho era árbitro de futebol, e ele nunca o tinha visto actuar, por ter receio de não aguentar os insultos que lhes chamam, lhe deu um neto muito lindo, mas por problemas de família não tinha ido ao baptizado, e tinha muita pena. A filha estava zangada com ele, por causa da cobra da mãe do namorado que lhe enchia a cabeça, mas que ela ainda havia de ver quem ela era.

Que se tinha separado, partido a montra do café da mulher e destruído o carro à pedrada, e que quando a policia chegou viu que era o seu amigo, o Luizinho, que lhe disse: “Estás armado?” Soube que apertou as partes com a mão e lhe disse “Tu conheces-me pá, sabes que a única arma que tenho é esta entre as pernas.” O Luizinho disse-lhe então para fugir, que era melhor ser fugitivo, do que ser apanhado e ter que pagar as multas todas.

Que agora já estavam juntos outra vez, e que agora era outro homem, que se tinha juntado À IURD, que lhe deu a volta à vida, que era uma maravilha, excepto o ter que pagar, que os gajos estão sempre a falar em dinheiro. Mas é como eles dizem, o dinheiro é teu, e se é teu podes dá-lo a quem quiseres e se o deste é porque quiseste…

Mas era outro homem, que ainda ontem a mulher queria discutir, vejam só por causa do vinho ao jantar, e que se fosse antes até a caneca tinha saído pela janela, mas agora nem bola dava; só foi obrigado a beber mais um copo, para não dar parte de fraco.

E que agora a vida estava mais estabilizada, apesar de ter que ir a tribunal segunda-feira, por causa de uma pastelaria que comprara por sete mil contos e que o senhorio tinha sido um trafulha…

Está igual. Vive como fala. Talvez um pouco mais magro…