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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

POUPA SÃO

Eram azuis, e rodavam lentamente num suporte giratório, delicados e frágeis. Meteu as mãos em concha ao lado da cara, para tapar os reflexos. 25 Euros… “Bonitos, mas caros - pensou…” a meio do mês era uma despesa a que não se podia dar ao luxo.

 

“Ainda lá estão”, dizia para si mesma, soltando um sorriso interior, quando passava a caminho do trabalho, e os via rodando, dia a dia mais bonitos.

Quase no fim do mês desapareceram da montra, no suporte giravam agora umas botas de cano alto, da nova colecção. Ficou triste, com o andar lento dos dias, que não lhe permitiram comprar o mais lindo par de sapatos que tinha visto. “Se eram bonitos para mim, também foram para outra. Se calhar uma ricaça que nem precisa… deve ter um par para cada dia da semana. Havia de lhe nascer uma bolha nos pés, isso é que era”.

 

O fim do mês, passou anónimo e outros objectivos de vida levaram o dinheiro para coisas mais urgentes e necessárias. O par de sapatos tinha sido relegado para o subconsciente, até ao dia em que letras garrafais anunciavam saldos de até 50%, na loja. Parou a ver a montra e num canto viu os sapatos que tanto namorara platónicamente, já sem o protagonismo de outrora, entalados com outros pares, com uma etiqueta colorida a anunciar o preço anterior de 35 Euros e o preço em saldo de 25 Euros…

 

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