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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

D. GENINHA TINHA UMA GALINHA.

D. Geninha tinha uma galinha,

Não dava milho à bichinha,

Dia a dia mais magrinha,

Coitada, nem ovos punha.

 

Fugia para a vizinha,

Pra comer qualquer coisinha,

Ia busca-la a Geninha,

Ou trazia-a a Teresinha.

 

É dona da outra galinha.

Come muito, está gordinha,

Tem uma bela vidinha,

Põe ovos com farturinha.

 

A galinha da Geninha,

Ocupava a cabecinha,

Com o porquê da fominha,

Sendo a dona tão gordinha.

 

Filosofava, tontinha,

Com a galinha da Teresinha,

O porquê desta vidinha,

Infeliz que nada tinha.

 

A outra ouvia a queixinha,

Receosa da papinha,

Para uma era fartinha,

Para duas poucochinha.

 

A galinha da Geninha,

Ao ouvir a ladainha,

Não mais fugiu prá vizinha,

Vivia com o que tinha.

 

Continuou a vidinha,

Sempre na mesma linha,

Para uma, um nadinha,

Para outra farturinha.

 

A galinha da vizinha,

Um dia ouviu a Teresinha,

A falar numa canjinha,

Para a filha pequenina.

 

Assustou-se a coitadinha,

Tentou fugir prá Geninha,

Mas estava tão gordinha,

Nem levantou a perninha.

 

Num assomo de emoção,

Olhou para o coração,

Depois olhou pra vizinha,

E chamou-a em voz baixinha.

 

Tu podes voar,

Mas voa pró outro lado,

Em vez de vires petiscar,

Constrói pra ti outro fado.

 

Se saltares aí o muro,

Podes voar sobre o mar,

Escolher o teu futuro,

Encontrar a quem amar.

 

Como nunca me lembrei?...

Só pensava em milho-rei…

A minha dona é tão má

Não lhe faço falta cá.

 

Amiga, somos galinhas,

Supostamente burrinhas,

Muitas vezes me lembrei,

Mas o passo nunca dei.

 

Tu tinhas mais que fazer,

Em tentar sobreviver.

Eu que podia comer,

Nunca pensei em viver.  

 

Vai e não faças como eu,

A barriga me perdeu.

Agora vou prá panela,

Ou é canja ou cabidela.