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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

COMENDADOR

 

Em vida tinha sido influente na sua comunidade, agora depois de ter gozado, durante três anos, o descanso da morte, sofria, sentindo dores fantasmas no corpo que já não possuía. O que mais lhe custava eram as ardências nos seus olhos de pedra, por não conseguir mexer as pálpebras de granito.
Pediu, rogou, chorou, prostrou-se diante Dele, enquanto era arrastado para a sua mortalha, pelas cinzeladas do escultor que esculpia o busto… mas nada havia a fazer. Nem Ele conseguiu impedir o retorno da alma, que ficou emparedada no mundo dos vivos.
Mesmo assim ainda conseguia ver coisas boas na sua penitência. As dores articulares deveriam ser piores se, porventura, tivessem feito uma estátua completa, obrigando-o a manter, imóvel, alguma posição altiva, talvez, como é usual, com uma mão a apontar para um qualquer ponto no infinito.
 

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