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do pipo ó copo

Ponte de Prado

do pipo ó copo

Ponte de Prado

R. C. B.

Andavam faz uma hora, pela noite escura, tacteando os caminho, passo apressado pela esperança.

- Ainda falta muito, perguntou a mulher?...
- Não, mais dez minutos.
Caminhavam em fila,  a mulher atrás uns dez passos.
 
Numa conversa ouvira o capataz da firma,  dizendo que à segunda-feira dava no rádio, entre as nove e as dez  mensagens dos soldados do ultramar para as famílias. Desde que contou em casa nunca mais a mulher teve descanso...
Mas na terra ninguém tinha rádio. A insistência da mulher venceu-lhe o constrangimento e pediu ao patrão para os deixarem escutar o rádio.
As noticias do filho eram raras, desde que partiu, pr'ai há dois anos. Ele também nem sabia escrever ou ler.
 
Esperam à porta da casa que esta se abrisse...
Às nove a criada abriu-lhes a porta, e levou-os para uma sala, não sem antes lhes mandar limpar os pés no tapete de entrada. O capataz estava sentado num sofá, junto ao rádio, fumando um cigarro... encostaram-se à parede, ele com o chapéu na mão, fitando o aparelho, ela, chorando baixinho, com as mãos cruzadas sobre o peito.
 
- Daqui Rádio Clube Moçambique...