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Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011
PONGO

 

O seu aspecto intimidava, mas era um cão meigo e gentil; um bom gigante, que trocava a comida pela liberdade. Muitas vezes o fui procurar, passava da meia-noite, porque se esquecia, quando desaparecia, nas suas voltas, de voltar a casa.

Passos desengonçados, parecia correr, quando andava, lingua de fora, cabeça levantada cheirando o ar.

Não sei se existe um céu para cães, provavelmente não, mas se houver, estará lá porque mereceu.

Talvez esteja, ao lado do Tejo, o primeiro cão que tive, aos cinco anos, um refeiro branco e amarelo, com o focinho castanho que tinha um ódio de estimação do Fernando, o meu amigo de infância, ao lado do Skipe, pequeno e atarracado, gordo e anafado, do Burrinho, o mais inteligente e desconcertante dos cachorros que conheci, da Cebolinha, cadela de apartamento até ao meio da vida e que descobriu a liberdade na minha casa, correndo o campo de lés a lés, estará também ao lado do Jack, o pastor alemão brincalhão e um pouco inocente, sempre criança, do Bobi o cão com a personalidade mais humana que conheci, meio bom malandro, meio vadio, que só estava feliz na rua, da Bé, cadela irrequieta que viveu muito em pouco tempo.

Haverá, porque todos eles merecem que haja.

 

publicado por JP às 22:42
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