links
arquivos

Novembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Maio 2017

Março 2017

Novembro 2016

Outubro 2016

Abril 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Abril 2015

Março 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

pesquisar
 
Novembro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
tags

todas as tags

favorito

SO LONG LEONARD...

MANDEI A ITÁLIA PRÓ CARAG...

VIAGENS...

TINTURA

DA RUA PARA O CONVENTO.

É A VIDA...

blogs SAPO
Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2013
UM DIA VOU-TE ABRAÇAR.

Encostou a porta. Eram onze da noite, trovejava com intensidade e a chuva entrava, empurrada pelo vento que assobiava nas copas das árvores, alagando o chão de madeira.

Armando tinha ido para casa com as filhas; disse-lhes que ficava mais um pouco e que já iria. Mas foi ficando, sem coragem de ir, sabendo que se aproximava a hora em que teria de dizer adeus para sempre, tentando deste modo prolongar a presença da mãe, que ainda anteontem, antes de lhe ter dado o ataque, se ria com as crianças, enquanto fazia renda, sentada na cadeira de lona que o René lhe tinha trazido de Angola.

Se para muita gente o facto da capela mortuária de situar no centro do cemitério, as luzes terem falhado e o tempo invernoso, seriam motivo para se afastar, para Rosa, a chuva, o vento e a trovoada forneciam-lhe uma desculpa para ficar mais um pouco. Não tinha receios de quem lá estava em descanso eterno; os vivos esses sim é que me podem meter medo, dizia.

A chama das velas tremeluziam empurradas pelo movimento do ar que passava pelas frinchas da pesada porta, ameaçando apagar-se. De quando em quando a semi-escuridão era cortada por relâmpagos que entravam pelas vidraças de vidro fosco, cortadas em quadrados pequenos por um caixilho de ferro forjado.

E era esta luz tímida e ameaçada, que iluminava o caixão aberto, e Rosa de joelhos ao seu lado, com a mão nas mãos de sua mãe. Olhava a face serena, de quem parecia dormir, pedindo a Deus que se levantasse, lhe desse um sinal, lhe falasse; mas não. Luísa ficou para sempre imóvel, deitada com as mãos em cima do peito, segurando um terço de contas pretas.

publicado por JP às 06:00
| comentar | favorito
Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013
AARDMAN

- É perfeitinha. E é uma rapariga – disse a mãe Luísa, enquanto a colocava nos seus braços.

Rosa aconchegou-a no colo. A primeira filha tinha nascido com deficiência física e mental, e a principal preocupação, se era saudável, só depois saber se era rapariga ou rapaz. Tinha agora três raparigas. Mais uma flor no meu jardim, pensou…

Luísa tapou a filha, e abreu a porta…

- Vinde ver a vossa irmã – chamou a sorrir…

A Teresa e a Albertina entraram silenciosamente no quarto acompanhadas da mica. Mica era uma ovelha, que tinham comprado pequenina dois anos antes, para fazer uma festa na páscoa. Mas a Teresa tinha-se-lhe afeiçoado, e chegada a data ninguém teve coragem de a matar; agora já grande comportava-se mais como um cãozinho, seguindo-a para todo o lado…

As raparigas subiram para a cama para espreitar a menina através dos agasalhos. Mica, curiosa, colocou as patas da frente na cama e também se esticou para observar.

Mas um objecto estranho captou-lhe a atenção. Em cima da cómoda uma moldura prateada, com uma foto da primeira comunhão da Albertina, brilhava com um raio de sol.

Aproximou-se abanando a cabeça, meteu-a na boca, saindo sorrateira do quarto, desceu as escadas, passou pela porta das traseiras e foi esconde-la no ninho.

publicado por JP às 12:35
| comentar | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2013
DAR, EU ATÉ DAVA...

O alvoroço na rua, e as pessoas a correr levaram-na à porta da “venda”, onde tinha ido para comprar massa para o almoço.

Rosa viu o fumo e pensou “é na minha casa”. Era. Atirou os socos para longe e correu descalça rua abaixo, chorando descontroladamente antecipando o pior; tinha deixado as meninas na cama.

Eram casas geminadas, novas a estrear. Ainda cheiravam ao verniz das madeiras. A vizinha, a Rosinha “pancha”, assim chamada por ter perdido 4 filhos, todos com poucos meses de idade, dizia-se pelas mamadeiras de vinho que lhes dava, despejou as cinzas do fogão, no coberto. Um pouco de vento avivou as brasas, que voaram para a “pruma” de pinheiro, e em pouco tempo as labaredas chegavam ao telhado.

Ao chegar já o primo Alberto surgia do meio do fumo, com as meninas nos braços…

- Eu vi-te a ir às compras e pensei logo que as tinhas deixado em casa. Estão bem – entregou-as e virou-se para o povo gritando – peguem em baldes homens. Ajudem!...

Quando Rosa as abraçou choravam assustadas, com o correr das lágrimas, marcados a branco na pele suja de fuligem.

As pessoas organizaram-se e tirando água do poço passavam os baldes, tentando apagar as labaredas. Em vão…

Armando chegou nesse momento e desesperado tentou entrar em casa para salvar o que pudesse, mas foi agarrado pelas pessoas; o telhado ameaçava ruir. E com estrondo caiu levantando faúlhas ao céu.

Quando os bombeiros chegaram já as chamas amainavam, alimentando a coluna de fumo que dançava ao vento em direção ao alto.

Entardecia. Armando, Rosa com a filha mais nova ao colo e outra agarrada à saia, olhavam em silêncio para o braseiro, que lhes tinha enterrado os bens e os sonhos.

Como era de costume, quando acontecia uma tragédia na freguesia, foi organizado um peditório pela comissão vicentina.

Quando bateram à porta de José Caniças: “Dar eu até dava, mas para o Armando não, que esse é rico. Tem uma bicicleta…”

 

publicado por JP às 18:29
| comentar | favorito