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ATCHIM!

PERGUNTAR OFENDE?...

CONSULTAS

MALEITAS

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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
ATCHIM!

 

- Boa tarde…
- Boa tarde…
- Eu estou a ligar para saber o resultado de uma análise de gripe A, feita ao meu filho na terça-feira…
- Aqui no hospital?
- Sim. Na terça-feira fui às urgências e fizeram a análise e hoje já sabia o resultado…
- Não sei. Não desligue, vou ligar à UCI…
(música)
 - Eu estou a ligar para saber o resultado de uma análise de gripe A, feita ao meu filho na terça-feira…
- Sim… mas não é aqui, nós aqui só fazemos os internamentos. Talvez no laboratório. Não desligue, vou passar.
(música)
- Sim laboratório…
- Eu estou a ligar para saber o resultado de uma análise de gripe A, feita ao meu filho na terça-feira…
- E mandaram-na para aqui?
- Passaram o telefonema para aí…
- Mas nós aqui não fazemos as análises à gripe…
- Mas disseram-me que hoje sabiam os resultados e como pode compreender estou um pouco ansiosa.
- Compreendo, mas aqui não sabemos de nada. Vou passar para a UCI…
(música)
- Eu estou a ligar para saber o resultado de uma análise de gripe A, feita ao meu filho na terça-feira…
- Nós aqui não temos acesso às análises. Talvez no laboratório lhe saibam dizer…
- Mas você já me passou para o laboratório, e de lá passaram para aqui outra vez…
- Então não sei. Onde fez a análise?
- Na urgência, na terça-feira.
- Então talvez lá lhe saibam dizer, vou passar
(música)
- Sim? Urgência.
- Eu estou a ligar para saber o resultado de uma análise de gripe A, feita ao meu filho na terça-feira…
- Aqui na urgência não temos acesso a análises. Isso é com o laboratório…
- Mas eu já falei com o laboratório e ninguém sabia de nada…
- É sempre a mesma coisa, ninguém sabe de nada. Mas aqui também não sei. Só se lhe passar para a UCI…
(música)
- Sim? UCI…
- Sou eu novamente. Na urgência ninguém sabia.
- Só se lhe der o número do laboratório do Porto que faz as análises. Pode ser que eles lhe digam alguma coisa.
- Mas a mim disseram-me para ligar hoje para aí que já teriam o resultado da análise. O meu filho está a tomar Tamiflu por precaução e eu quero saber se continuo ou paro com o medicamento. 
- Pois, só um momento…
( - Tenho aqui uma pessoa ao telefone por causa de uma análise da gripe. O que é que lhe digo?
- Sei lá! Diz-lhe que depois mandamos uma carta com os resultados.)
(musica)
- Sabe nós depois manda-mos uma carta com os resultados.
- Mas como uma carta. Se já passou tanto tempo, quando a carta chegar já passaram os sete dias de quarentena.
- Pois, mas não lhe posso dizer mais nada… Só se quiser ligar amanhã e fala com o chefe…
- Quando?
- Da parte da tarde. E depois ele já lhe diz como é que se faz…
- Está bem. Obrigado.
 


publicado por JP às 18:39
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
PERGUNTAR OFENDE?...

Será que um casal homossexual também precisará de ter um ano de relações sexuais desprotegidas, para entrar num programa de inseminação artificial, pago pelo estado?....

 

 



publicado por JP às 01:18
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
CONSULTAS

 

- Trouxe os medicamentos que a médica de família lhe receitou, D. Flores?
- Não. Esqueci-me completamente… mas eu moro aqui perto e posso ir a casa…
- É melhor, D. Flores… vá e depois continuamos a consulta. Já tenho a sua ficha completa…
Rosa Flores dirigiu-se a casa, apressada… O martírio já durava há tanto tempo; dois anos para ser mais precisa. Maldita alergia. Por causa dela tinha dado a sua cadelinha de estimação.
------//-------
A médica do posto diagnosticou-lhe alergia ao pelo de animais, quando ela se lhe dirigiu, faz dois anos, com os braços e o pescoço vermelhos e empolados, com riscos de arranhões e sangue de tanto ter coçado.
Ainda na última consulta se lhe tinha queixado, apesar de a médica nem para ela ter olhado, enquanto falava ao telefone, e lhe passou as receitas no computador.
- “Rais a parta”, praguejava Rosa Flores, no palavrão mais obsceno que a sua consciência lhe permitia. “Nem para mim olhou…”
A Doutora, sentada na secretária, a falar ao telefone, continuou com o auscultador poisado no ombro, marcando uma saída de sábado à noite com alguma colega, enquanto no computador procurava as últimas receitas e repetia a dose.
- Aqui tem D. Flores, tome estes medicamentos e marque consulta para daqui a seis meses…
- Mas Doutora, esta comichão não me larga, nem consigo dormir…
- Ponha a pomadinha que lhe receitei e nada de contacto com animais…
Passou um mês e nada de melhoras. Era pior com tempo quente. No inverno os sintomas ficavam mais leves. Mas este ano o calor prolonga-se.
 Juntou os cinquenta euros e foi à uma consulta de um dermatologista…
------//-------
- Aqui tem Doutor, os remédios que ando a tomar…
- Era o que pensava… Este medicamento aqui, que toma para a tensão arterial, conjugada com a exposição ao sol é que lhe provoca essa alergia. Basta pôr esta pomada que lhe vou receitar e adeus comichão…
- Ai que grande “Filha da Puta”, disse D. Rosa entre dentes…
- Disse alguma coisa D. Flores?
- Não Sr. Doutor, estava só a pensar alto…
E pela primeira vez em meses conseguiu dormir a noite toda


publicado por JP às 15:40
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
MALEITAS

 

Sem querer pôr em causa as inúmeras estatísticas que pululam nos méis de comunicação e na publicidade respeitantes à saúde dos portugueses, não deixam de me causar estranheza os números apresentados.

São uns milhares para isto, milhões para aquilo, meios milhões então é “mato”. Se descontarmos o facto incontornável de sermos dez milhões, mais coisa menos coisa, existem muitas pessoas, que só por si, sofrem de tuberculose, obesidade, problemas cardíacos, diabetes, rins, disfunção eréctil e prurido vaginal.



publicado por JP às 18:29
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Sábado, 17 de Outubro de 2009
REtratos



publicado por JP às 01:15
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REtRaTos



publicado por JP às 01:14
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ReTraTos



publicado por JP às 01:12
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
PORTUGAL-HUNGRIA

 

Na televisão passava o Portugal-Hungria, mas nenhum de nós lhe estava a prestar atenção. Eu ouvia o que o Tio Alberto tinha para dizer, com lágrimas nos olhos, prostrado no sofá. “Pode não ser hoje, mas um dia destes será”…
- Claro Tio, você bem sabe que hoje nunca poderá ser, pois eu só saio daqui depois de desatar a corda, ou chamar a policia ou o 112… desde o momento que me abriu a porta hoje nunca será.
 
Suponho que será uma história igual a muitas outras, sem nada de especial a não ser para os intervenientes, pois zangas de família são, infelizmente, porque nunca consegui compreender porquê, coisas do dia a dia, corriqueiras e banais, de tão comuns…
 
Cinco filhos, viúvo, más relações com todos eles excepto com a mais nova, que ainda lhe vai dando apoio, por entre os seus próprios dramas familiares, com um marido metido nas drogas e no álcool, os filhos e o emprego que lhe consome as tardes até às onze da noite. O Tio vendeu a casa onde sempre viveu, a um filho que com eles morava, “Por uma bagatela” dizia constantemente, e quando a Mãe morreu, começaram os barulhos, as chamadas para a policia, os casos em tribunal entre eles, tendo o velhote saído do seu meio, mudando-se para uma casa na cidade, de onde não sai, não convive… “Hoje estou aqui com um copo de água, não me apeteceu comer… tou aqui sozinho; até a mulher da limpeza, ontem me disse que não vinha mais… foi uma palavra que eu lhe disse e ela não gostou. Já lhe telefonei para desculpar, mas ela diz que não vem mais. Ainda na semana passada fui ali ao emprego do meu Fernando, ali no supermercado, mas ele pôs-me cá fora. Até uma senhora disse que não era assim que se tratava um Pai. E nem sei porquê, nunca lhe fiz mal. João, eu nunca bati nos meus filhos… A Mãe batia, mas eu nunca lhes pus as mãos.”
 
Uma hora antes tinha ligado para a minha Sogra, a chorar, para se despedir, dizendo que os filhos amanhã se o quisessem ver teriam que ir à morgue do hospital, que ontem fazia dois anos que a mulher morrera, e ia para a beira dela.
Assustada ligou para os filhos… “Ele é tolo, ele não faz isso, – diz que disse, com ar de riso – é só para chamar a atenção”, “Agora não posso, estou aqui a acabar uma encomenda que tem que seguir hoje”, o do meio nem atendeu, a mais nova estava no trabalho e tinha o telemóvel desligado…
Quando cheguei para ir buscar o Joãozinho do colégio, contou-me assustada. Perguntei onde morava, mas ela não sabia. Desde que tinha ido para Braga, o contacto tinha-se perdido um pouco. Liguei-lhe e perguntei onde morava. “Não vale a pena vires cá…” Depois de muito insistir sempre me deu a morada. Vou aí ver o futebol, disse-lhe.
 
Tinha feito uma “corda” com uns fios de antena de televisão, atados aos pés da mesa da cozinha, com um nó corrediço e encostado o móvel à janela, “Assim quando estiver aí fora pendurado pelo gargalo, a mesa trava na janela…”
 
Tenho a noção que por vezes as pessoas ameaçam o suicídio, como último acto de chantagem, para conseguirem o que querem, mas ontem fiquei com a sensação que de facto o faria, uma vez que não tendo aparecido nenhum filho, especialmente o segundo mais velho, por quem me pareceu que nutre um sentimento mais forte, se iria sentir encurralado nas suas próprias ameaças, e na sua credibilidade, e saltaria pela janela, como única saída.
 
Por volta das onze e meia, a Lurdes, a mais nova, tendo saído do trabalho, entrou pela casa dentro…
- Oh meu Pai, você que é que anda a fazer?... A chatear toda a gente…
Enquanto conversavam, desatei os fios da mesa, enrolei-os num novelo que atirei para o jardim cá em baixo. Quando fui embora meti-os no lixo…
 


publicado por JP às 12:08
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009
ESTE PAÍS NÃO É PARA LORPAS (3)

 

- … Agora estou melhor…
- Mas o que lhe deu?
- Oh pá, foi uma dor aqui do lado. Fui ao Dr. Luis que me receitou uns comprimidos naturais e que me fizeram bem…
- Comprimidos naturais?... Mas há alguma árvore que dê comprimidos?...
O Sr. Manuel continuou a falar, do bom doutor, não se apercebendo da ironia.
- Aquilo é um mundo, tem o consultório cheio de diplomas, o homem não pára. E tem umas mãos de ouro; fez-me aqui uma massagem cinco estrelas.
- Mas quem é o Dr. Luis. Não conheço esse médico.
- É aquele que tem o consultório naquela farmácia ali no Campo das Hortas…
- Aquela loja de produtos naturais?...
- Sim, uma farmácia cinco estrelas. Aquelas paredes cheias de remédios “até’cima”…
- Mas eu conheço bem o dono, realmente chama-se Luis, mas ainda o ano passado trabalhava como camionista na empresa de mudanças do Sr. Alfredo.


publicado por JP às 22:00
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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
ESTE PAÍS NÃO É PARA LORPAS (2)

Sentado na explanada, bebia uma cola e lia o jornal, deitando um olho ao puto, que se divertia com os brinquedos espalhados num espaço próprio para as crianças. É uma boa ideia de markting, da filha da dona do estabelecimento que anda em Educação de Infância, pois eles trazem os pais…

A dona aproximou-se da mesa, com o passo pesado dos seus quase 100 kg…
- Não ouviu a conversa aí da mesa ao lado?...
- Não estava com atenção. Percebi que estavam a reclamar de qualquer coisa…
- Esta gente está sempre a reclamar. Sabia que a mulher ganha 800 € de rendimento mínimo?...
Fiz que não com a cabeça.
- Pois é. Trabalhava numa fábrica, despediu-se e o patrão deu-lhe o desemprego em troca dos direitos; mamou 3 anos e agora divorciou-se do velhote, que “tava” ao lado dela… Não reparou?... não interessa; aquele é o marido, mas estão juntos na mesma. Divorciou-se, ficou com os filhos à guarda e pimba 800 por mês. 800 que não são 800, pois tem o colégio de graça, e não paga nada nem nos médicos, nem nos hospitais… e isso é muito dinheiro não é?...
- É - concordei…
- Só fico fodida é que ela está sempre a dizer mal do governo. Andam para aí os parolos a trabalhar o mês todo para tirar 500, sim que as das fábricas nem isso ganham, e esta gente leva-a assim direita. Para nós, até é bom que estão sempre aqui metidos…
 


publicado por JP às 19:24
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