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Pela primeira vez, pelo menos que me lembre, não quis que o levasse à sala. Normalmente levo a mochila, tiro-lhe o casaco, visto-lhe a bata, pego nele ao colo e depois de uma abraço e um beijo deixo-o na sala com os outros meninos.
Hoje, ao chegarmos, disse que ia sozinho, e correu para o interior do colégio, deixando-me à porta.
Está a ficar um homenzinho o meu bebé…
Talvez indistinta fosse a palavra que melhor a definia. Talvez 40 ou 45; cabelo curto, loiro não natural, vestia roupas elegantes mas com o objetivo de parecer mais nova.
O empregado aproximou-se com um sorriso, e perguntou o que desejava.
- Pois bem, esse é o problema. Não sei o que me apetece…
- A nossa especialidade são os croissants. Os simples são muito bons.
- Para quem viveu em França como eu, é difícil encontrar algo que me satisfaça. Mas seja vou acreditar. Espero gostar mais do bolo do que estou a gostar de si.
Manteve a compostura enquanto guardava o bloco de apontamentos no bolso, mas por dentro remoía as palavras, “raio de velha”, tentando identificar onde teria falhado no atendimento.
Outras conversas, pedidos e clientes afastaram-no da mesa do canto. Só quando se apercebeu que ela se levantava e se dirigiu ao balcão, é que a seguiu com o olhar. Viu-a a pedir dois croissants para levar. “Afinal a velhinha gostou” pensou com um sentido jocoso. Esperou junto à porta, e quando ela se preparava para sair, abriu-lha dizendo:
- Afinal sempre gostou dos croissants.
- Gostei. Mas só levo estes – disse aproximando-se e falando baixinho - porque a ti não posso mandar-te embrulhar para levar comigo.
A surpresa atingiu-o, corou e sorriu nervosamente:
- Mas eu não estou à venda…
- Não estava a pensar em vender – disse empiscando o olho, e saiu sem olhar para trás…
- Joãozinho levanta-te que está na hora, vamos chegar tarde ao colégio, e o patrão vai bater ao pai com o chicote que tem atrás da porta!
Enquanto saia de debaixo da roupa, cabelo em pé, espreguiçando-se...
- Eu se calhar sabes, hoje até ficava aqui na cama, e depois, se calhar até podia ir prá Vó...
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Esquece o natal McDonald´s,
Do “home alone” 1,2, 3, e 4.
O natal da Câmara Municipal,
Luzes frias, de paisagem postal.
As ruas com musica enlatada,
Que de tanto tocar nos fica encravada.
O natal dos super’s, hiper’s e superhiper’s…
Com os seus “Pais Natais” plásticos,
Vendidos em embrulhos fantásticos.
As “boas festas” coloquiais,
Iguais ao “como vais”.
A história deste menino,
Tem que ser muito, muito mais.
Eu não sei se foi mesmo assim,
Letra a letra, tintim por tintim,
Ou se foi de outra maneira,
Só no sentido, verdadeira.
Importante é o que nos diz,
Podia ser rei… mas nem quis.
Preferiu dois animais,
Enfiado num buraco velho,
A um brilhante castelo,
E uma roda de generais.
Deixou o seu mundo de perfeição,
Desiludido com a ambição,
De termos na palma da mão,
Milhão sobre milhão.
Mostrou-nos, na humildade,
O quanto somos importantes.
És de verdade,
Pó de estrelas, ouro e diamantes.
- Fiquei de castigo, eu e o Tiago Brito, porque andámos a tirar as folhas das árvores do jardim da escola, para dar de comer aos dinossauros que moram na selva por trás do muro do recreio. Atirámos as folhas e ficámos à espera, e elas não vieram para trás, portanto é porque os dinossauros as comeram todas.
Troca-se emprego no sector privado, com 14 prestações anuais, com as seguintes características:
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Todos nós conhecemos as histórias de nossos pais e avós, e da sua pobreza, e de como comiam meia sardinha, com caldo de nabos...
Os nossos filhos e netos irão ficar admirados, quando lhes contarmos as histórias da abundância.
Felizmente a felicidade não depende do que se tem...
- Ai, Ai, eu já deixei de comprar roupa de marca. Agora vou ao mais barato...
- Eu não. Compro roupa de marca, falsificada.